Tem coisas na vida que a gente faz sem nem perceber que a gente está fazendo.
Dessas coisas, acho que existem algumas que a gente não tem direito de fazer sem perceber, e na verdade, não temos direito nenhum de fazê-las. Como ser machista ou racista.
Esse é o tipo de coisa que fazemos porque, de certa forma, fomos "treinados" para fazer. Mas e aí? Vou ter que ficar me policiando o tempo todo, o resto da vida para não ser machista ou racista?
Sim e não. Sim porque você vai ter que se policiar por um tempo e não porque você não está precisando se policiar agora para ser racista, machista, xenofóbico...
E não me venha com: "Mas a sociedade é assim, a gente tem que jogar o jogo que o mundo joga.". A sociedade está assim, é um momento, e se ela está assim não é por nada, não é porque o desenvolvimento da História nos trouxe a essa situação em que vivemos. É porque durante o tempo pessoas e sociedades fizeram escolhas, adotaram posturas políticas e ideológicas, que prevaleceram ou não. Agora não venha me dizer, com sua grandeza intelectual do século XXI que isso é natural e sempre será assim.
Não! Não foi e não será! Não vamos nos permitir que isso permaneça. Pare de dizer que estupros, assassinatos, guerras, linchamentos, abusos, corrupção, explorações (de formas variadas) são coisas comuns. Não são! Ser frequente não é ser comum. E a frequência de algo não pode ser tratada como caractér naturalizante de uma questão, seja ela qual for. Casos de violência contra a mulher são frequentes, mas isso não me faz dizer que violências desse tipo são normais e não são uma ponta de um gigantesco constructo social.
Mas o que não é constructo social? Não sei, talvez tudo seja. E justamente por isso, tudo pode ser diferente, tudo pode ser feito de uma forma nova. É nisso que acredito, que o racismo, o machismo e outros ismos não são naturais, então coloque seu martelo para funcionar, comece a destruir e a (re)construir.
Se dê o direito de se chocar novamente. Não permita que lhe podem os sentidos. Que lhe digam como deve gozar; que não precisa chorar vendo uma barbárie na tv (que não é só mais uma, é sempre uma nova barbárie, é A BARBÁRIE). Não deixem que lhe digam como deve amar, como deve seduzir, ou como deve querer ou odiar alguém. Faça-o porque você sente. Voltemos a sentir. Voltemos a chorar. Permitamo-nos sensibilizar-mos.
Se existe uma luta que deve ser lutada, é a luta pela volta das sensações, dos sentimentos. Não vamos viver só com razão fria e científica, mas com a emoção que incomoda. Porque o que nos incomoda e nos faz chorar hoje, nos faz querer mudar o mundo, e quem sabe, não poderemos no futuro, ter sentimentos menos penosos?
1 comentários:
Concordo, as coisas ficam naturalizadas e simplesmente as reproduzimos como se não existesse modo diferente. Nem só de razão instrumental vive a humanidade, precisamos da razão autocrítica.
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