Era fim de tarde, saia da casa de amigos, onde evitara a solidão o máximo que pudera. Passou no posto, comprou um guaraná antartica pra tomar com o miojo da janta. A depressão já vinha por estar voltando pra casa... foi quando viu passar um onibus... aquele mesmo que sempre pegava, que já o tinha feito sorrir muito com o frio na barriga causado por seu percurso de declives, imprudentemente percorrido pelo mesmo tiozinho motorista de sempre, que, sem dúvida alguma, o fazia porque adorava ouvir os gritinhos segurados e os sorrisos suaves dos passageiros... Gostava dessa linha por isso, todos sorriam com a descida, todos... sem exceção...
Viu o onibus passar... e correu para trás para alcançá-lo... não porque precisasse pegá-lo pra chegar em casa, mas porque se o pegasse, não precisaria estar em casa... poderia sorrir na descida do viaduto... Não estaria sozinho, teria ao menos a companhia da cobradora morena, gorda, com cara de brava, mas que sempre sorria docemente ao receber o dinheiro e devolver o troco... como se essa fosse realmente função da sua existência...
Se ele embarcasse no ônibus, estaria acompanhado, poderia sorrir e ver outras pessoas sorrindo.
Mas, apesar da corrida, não conseguiu... o semáforo não fechou, a rua não ficou deserta, o dinheiro não surgiu no bolso...
Não era pra ser daquela vez... o 116 ia ter que esperar... e ele voltou pra casa, com um guaraná antartica na mão, uma frustração no corpo e um pensamento: falta algo e por isso, falta tudo.
1 comentários:
chorei.
hahahahahahhahHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAH
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