Sobre a Playboy e outras revistas androcêntricas

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Conversa entre namorados durante a aula de História Contemporânea:


Fe: Hoje em dia, posar nua é emprestar mais o nome do que o corpo né? O corpo que aparece é digital.
Eu: Pois é, e os caras continuam comprando e batendo punheta pra isso.
Fe: Verdade, o pior é o cara que diz que é pela entrevista.
Eu: Ninguém merece.
Fe: O pior é que essas entrevistas são horríveis, sem conteúdo e repletas de imagens androcêntricas. É ridículo mesmo.
Eu: A mulher foi tão "objetificada" que o fato de a imagem ser alterada no Photoshop não incomoda, afinal "queremos" mulheres "perfeitas". Além da mulher que posa ter plástica e silicone até no cu, ainda alteram digitalmente. É o cúmulo da trasformação da mulher numa boneca inflável.
Fe: Concordo. Pou, se for assim cara, era melhor que a pornografia fosse só em forma de hentai, porque nenhuma mulher vai precisar ser retalhada para atender necessidades punhetísticas idiotas. A reificação da mulher é algo muito mais intrínseco do que a gente pode imaginar.
Eu: Pois é, e isso tudo é revoltante, morro de raiva, tenho vontade de queimar sutiãs mesmo.
Fe: É cara, mas é o que a gente estava falando ontem, as lutas "mais fáceis" já estão mais encaminhadas, agora sobrou o chumbo grosso pra gente, a mudança na mentalidade e a desconstrução do androcêntrismo.
Eu: Tá afim de encarar a luta?
Fe: Sempre! E você? Eu tenho que me agarrar a algo assim cara.
Eu: Comodismo e submissão nunca foram meu forte. Tô dentro.
Fe: Não posso me deixar viver satisfeito com o mundo assim. É curioso como a gente discute gênero o tempo todo.
Eu: É bom, é uma coisa que perpassa tudo na sociedade e nas relações humanas.
Fe: Sim, e faz a gente ficar sempre afiado e atento.

2 comentários:

Maris Morgenstern disse...

"as lutas mais facei já foram..."
e "sobrou pra nós mudar as mentalidades"
cara isso é quase revolucionário.
Serio cara...

Sunflower disse...

Foi dessa vez, sim. Essa conversa acertou na mosca.