Personal Respondeitor Naturalizator Tabajara

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

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Uma vez a Iracema falou num comentário aqui o quão é interessante para esse mundo acachapante que a gente não se importe, que a gente não pense, que a gente não pense e reflita sobre o mundo.


Então, as vezes é bom a gente largar do nosso mundinho colorido de pôneis, elfos e joguinhos sanguinários que são só uma brincadeira, para desconstruir um pouco, deixar de classificar tudo como natural, normal e essas baboseiras que não explicam porra nenhuma mas insistem em mostrá-las como mais uma solução Tabajara para seus problemas, tipo um: Personal Respondeitor Naturalizator Tabajara.

"Você está cansado desse hipongo vegetariano, daquela feminista mau-comida, daquele negro reclamão? Adquira já o seu Personal Respondeitor Naturalizator Tabajara. Com ele você pode responder a esses chatos com respostas que provam que a mulher é naturalmente inferior, que o ser humano não pode viver sem carne, que o negro reclama sem motivo de sua condição natural! Faça da natureza sua melhor amiga nessas discussões!

O Personal Respondeitor Naturalizator Tabajara também acompanha um kit completo de super pesquisas científicas atualíssimas que comprovam todos seus argumentos naturalizadores. Como as realizadas pela UniMOf, a Universidade do Machinho Ofendido, que mostra como o cérebro da mulher é incrivelmente diferente do homem analisando o comportamento de amebas tailandesas em conservas de Yakult. E também as pesquisas da renomada Universidade Especial da Macedônia, que acabou de comprovar que os negros são incapazes de tocar violão de cabeça para baixo, assobiando e chupando cana enquanto caminha pelas asas de um monomotor.

Não deixe de adquirir logo o seu! Seja também uma pessoa esclarecida que vai impressionar seus amigos! E levando tudo isso, ganhe um desconto na assinatura da revista "Europeu, Homem e Cristão", que mostra como se portar na sociedade contemporânea devidamente! "

Bom galera, esse post tomou um caminho totalmente bizarro, mas de boa. Só não se contentem com essas respostas prontas e naturalizadoras, duvide mais: acho que a gente só pode acreditar naquilo que podemos questionar.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

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"Quando alguém acha graça nas coisas, nem pensa na morte; mas quando alguém se sente sozinho, e velho, e desconsolado... aí tem medo de morrer. - disse Casy.

- Mas por que é que ele ia ficar desconsolado, tendo meio milhão de hectares? - perguntou o pai.
- Se ele precisa de 500 mil hectares pra se sentir rico é porque no fundo ele se sente danado de pobre, e se ele se sente pobre por dentro, não é meio milhão de hectares que vai fazê-lo sentir-se rico, e talvez é por isso que ele está desconsolado: não pode fazer nada para se sentir rico, como a senhora Wilson se sentiu quando cedeu sua tenda onde o avô morreu. Eu não quero fazer sermões, mas nunca vi alguém que passasse a vida inteira a juntar e juntar que não se sentisse, no fundo, desconsolado e desapontado. - Ele riu. - Soa como um sermão, mesmo não é?"

Extraído de "As vinhas da Ira", de John Steinbeck, p. 259.

Esse livro é muito foda! Essa é uma das passagens mais legais que eu já li, e apesar de ter lido pouco, acho que ela é mto esclarecedora sobre parte da natureza humana nessa atual configuração sistêmica da sociedade.

Não sei se é um post de recomendação de leitura, de reflexão, de crítica literária... nunca fui bom pra estabelecer objetivos nos meus textos. Mas acho que talvez isso não importe, não agora, nesse blog, nesse momento.

Acho que é um trecho interessante para mostrar o quão esses sistema capitalista, machista, racista e por aí vai, é ruim para todos, não na mesma intensidade, mas não deixa de fuder todo mundo e deixar-nos insatisfeitos. Melhor dizendo, existe outro motor na nossa sociedade senão a insatisfação? A tristeza? Isso além da estupidez, que nunca pode ser esquecida. Deve existir, afinal, se esse sistema tivesse um motor só, acho q ele já tinha parado. Bom, nos resta quebrar um por um, parafuso por parafuso, porca por porca, engrenagem por engrenagem... Quem sabe se depois desse desmanche, a gente não consegue montar algo um pouco mais justo e menos desgraçado...

Por que você não usa um biquíni?

domingo, 8 de janeiro de 2012

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_Filha, você tem um corpo bonito, você bem que podia usar um biquíni...

Quer dizer que quem tem o corpo feio não deve mostrá-lo e quem tem o corpo bonito tem obrigatoriamente que mostrar. Odeio essas imposições sociais, essa sociedade androcêntrica em que a mulher só vale de fato se for bonita.
Não gosto de biquíni, não gosto de ter que me depilar, por isso uso só maiô de shortinho.
Estou cansada dessa sociedade machista de merda, desse Rio Quente sem graça, desses restaurantes que não tem nada além de batata frita para vegetarianos,e de ser dependente financeiramente e emocionalmente...
Queria escrever algo melhor para este post, porém estou com a cabeça tão cheia e com tanta vontade de sumir e largar tudo e todos que ficou essa maré de desabafos costumeira.

Sobre amadurecimento

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

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Bom, são 4 anos de faculdade... e sinto que mudei muito de opinião desde então. Me envergonho muito de algumas coisas extremamente machistas e senso comum que postei nesse blog a alguns anos atrás, algumas eu até apaguei pra enterrar bem aquelas opiniões idiotas.
Cada dia acho que fico mais light com certas coisas que antes me grilavam... e fico mais grilada com coisas que antes eu achava natural, normal ou comum. Só posso dizer que embora eu tenha minha base de ter uma personalidade forte e ser chata pacas, a maioria dos meus pensamentos é mutante, evolui a medida que participo de novas discussões, conversas e que faço outras leituras.
To espantada sobre a quantidade de posts que fiz sobre temas relacionados ao amor. Só posso dizer que hoje não acredito mais nesse tipo de coisa como antes, não acho mais que sexo casual seja algo sem sentido, e to quase entendendo o que é o tal do poliamor... embora nunca o tenha praticado.
Minha preocupação ainda é fazer algo legal na vida... já realizei alguns sonhos, como ir num show do Mago de Oz.
Ainda quero a revolução... seja ela anarquista, comunista ou feminista... tanto faz pra mim, só quero que ela aconteça um dia. E provavelmente eu não vou estar viva pra ver.
Minha ideia ainda é comprar um motorhome e acabar minha vida numa comunidade hippie... e ser arqueóloga. Sou a mesma Nádia dos 16 anos, mas com um pouco mais de leituras e bases teóricas.

Pra quem me odeia vai tomar no cuzão... hoje to sem paciência pra gracinha. Ah, e façam um balanço da vida de vocês como eu estou fazendo da minha agora... ao invés de ficarem falando mal dos outros.

Sobre feminismo e masculinismo

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Oi, divulgo aqui o link de um texto produzido pra uma disciplina da faculdade sobre o engajamento político de gênero na análise de dois blogs da moda

http://www.4shared.com/folder/NBjEBn1u/_online.html

Baixa ai gente!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

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Tem coisas na vida que a gente faz sem nem perceber que a gente está fazendo.

Dessas coisas, acho que existem algumas que a gente não tem direito de fazer sem perceber, e na verdade, não temos direito nenhum de fazê-las. Como ser machista ou racista.

Esse é o tipo de coisa que fazemos porque, de certa forma, fomos "treinados" para fazer. Mas e aí? Vou ter que ficar me policiando o tempo todo, o resto da vida para não ser machista ou racista?

Sim e não. Sim porque você vai ter que se policiar por um tempo e não porque você não está precisando se policiar agora para ser racista, machista, xenofóbico...

E não me venha com: "Mas a sociedade é assim, a gente tem que jogar o jogo que o mundo joga.". A sociedade está assim, é um momento, e se ela está assim não é por nada, não é porque o desenvolvimento da História nos trouxe a essa situação em que vivemos. É porque durante o tempo pessoas e sociedades fizeram escolhas, adotaram posturas políticas e ideológicas, que prevaleceram ou não. Agora não venha me dizer, com sua grandeza intelectual do século XXI que isso é natural e sempre será assim.

Não! Não foi e não será! Não vamos nos permitir que isso permaneça. Pare de dizer que estupros, assassinatos, guerras, linchamentos, abusos, corrupção, explorações (de formas variadas) são coisas comuns. Não são! Ser frequente não é ser comum. E a frequência de algo não pode ser tratada como caractér naturalizante de uma questão, seja ela qual for. Casos de violência contra a mulher são frequentes, mas isso não me faz dizer que violências desse tipo são normais e não são uma ponta de um gigantesco constructo social.

Mas o que não é constructo social? Não sei, talvez tudo seja. E justamente por isso, tudo pode ser diferente, tudo pode ser feito de uma forma nova. É nisso que acredito, que o racismo, o machismo e outros ismos não são naturais, então coloque seu martelo para funcionar, comece a destruir e a (re)construir.

Se dê o direito de se chocar novamente. Não permita que lhe podem os sentidos. Que lhe digam como deve gozar; que não precisa chorar vendo uma barbárie na tv (que não é só mais uma, é sempre uma nova barbárie, é A BARBÁRIE). Não deixem que lhe digam como deve amar, como deve seduzir, ou como deve querer ou odiar alguém. Faça-o porque você sente. Voltemos a sentir. Voltemos a chorar. Permitamo-nos sensibilizar-mos.

Se existe uma luta que deve ser lutada, é a luta pela volta das sensações, dos sentimentos. Não vamos viver só com razão fria e científica, mas com a emoção que incomoda. Porque o que nos incomoda e nos faz chorar hoje, nos faz querer mudar o mundo, e quem sabe, não poderemos no futuro, ter sentimentos menos penosos?

Sobre a menstruação, e como vejo ela hoje

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

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Bom gente(nem sei quem lê meu blog, talvez algum parente leia isso amanhã e fique horrorizado, acontece, é a inclusão digital, nem por isso vou deixar de me expressar) aqui vão dois poemas, um de 2007, e um que escrevi agora, uma resposta a ele, ambos sobre minhas luas:

Menstruação(escrito durante a pior cólica que já tive) 2007

Vontade doida de enfiar uma espada em meu ventre
Para não mais sentir essa dor
Mar impuro de sangue que jorra
Maldição infernal!
E a cada quinze dias tudo isso se repete.
E eu choro de dor
E por ser mulher.



O que é a menstruação para mim 2011

Sangue sagrado que fertiliza a terra
Espera, e conexão com a Deusa
As vezes choro por ser mulher...
Num mundo de homens.
As vezes me alegro, sinto meu ventre
Me orgulho por poder ter 3 orgasmos em 10 minutos
Enquanto você tem apenas um.
Me orgulho por não ser um fútil escondido atrás de insensibilidade, agressão,pornografia,futebol e carros escrotos.
Me orgulho por ser múltipla: por ser Nut, Hathor, Artémis e Athena ao mesmo tempo.
Meu sangue me mostra o caminho para não desistir das lutas.